Vinho natural é produzido no Rio Grande do Sul

 30/12/2019

Vinho natural é produzido no Rio Grande do Sul

Fermentado de uvas. Este é o único ingrediente descrito nos rótulos dos vinhos e espumantes da Vinícola Vivente, primeira produtora de vinho natural registrada no Ministério da Agricultura, localizada em Colinas, no interior do Rio Grande do Sul. É um passo importante dentro de um movimento que vem conquistando clientes exigentes, mas segue restrito aos porões de alguns poucos vinhateiros gaúchos.

Os 7 mil litros que estão sendo produzidos neste ano pela Vivente já foram todos pré-vendidos para restaurantes especializados, empórios e bares de vinhos de São Paulo e Rio de Janeiro. Os sócios Diego Cartier e Micael Eckert deixaram carreiras bem-sucedidas no mercado de cervejas artesanais para se dedicar ao vinho natural.

Diego trabalhava em um clube de cervejas e viajava o mundo como beer hunter. Já Micael foi um dos fundadores da cervejaria Coruja, ao lado de Rafael Rodrigues. Em 2016, a marca foi vendida, e Micael viu no vinho natural uma oportunidade para estar mais próximo da natureza: “Na cerveja, tudo é importado, padronizado. O malte é sempre igual, o lúpulo varia muito pouco. Já no vinho, tu só vai saber que uva tu tem quando estiver colhendo”.

Só é considerado vinho natural aquele produzido com uvas orgânicas e que não leva nenhum aditivo durante o processo de vinificação. As leveduras – responsáveis por transformar o açúcar em álcool – são todas selvagens, presentes naturalmente na uva. Já o sulfito, que ajuda a conservar o vinho, é permitido apenas em baixíssimas doses.

Como não é utilizada nenhuma técnica para “corrigir” o vinho, o resultado é uma bebida absolutamente fiel à uva produzida naquele ano. “O que tu mais percebe no vinho natural é a expressão da fruta, porque tu está trabalhando só com a fruta. A gente acostumou a tomar vinhos tipo Coca-Cola. São iguais de um ano para o outro, porque os fabricantes enchem de coisas para deixar o vinho padronizado”, diz Diego.

Não há dados oficiais sobre vinhos naturais no Brasil, mas estima-se que o número de produtores não passe de dez. A tendência é que esse nicho vá se expandindo junto com a produção de vinhos orgânicos (primeiro passo para o vinho natural).

Segundo pesquisa da consultoria inglesa Wine Intelligence, a comercialização de vinhos orgânicos no mundo cresceu, em média, 20% ao ano nos últimos  cinco anos. A Feira Naturebas, que ocorre há sete anos em São Paulo, é a grande vitrine dos vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais produzidos no Brasil.

Neste ano, foram 2 mil visitantes e 100 expositores, entre eles rótulos premiados em concursos internacionais. Mesmo assim, a maioria desses produtores não está regularizada. “Está todo mundo buscando se regulamentar, mas muitos vinhateiros não têm nem condições de fazer isso”, explica Lis Cereja, organizadora da feira e dona da Enoteca Saint VinSaint.

FONTE: Revista Globo Rural



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